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O Evangelho Segundo o Espiritismo à luz da Bíblia

Kardec afirmou que "O Evangelho Segundo o Espiritismo" era a última revelação de Deus à humanidade e a mais actual e correcta. Milhões têm sido enredados por essa doutrina que vem sendo modificada...

O Evangelho Segundo o Espiritismo à luz da Bíblia

Kardec afirmou que "O Evangelho Segundo o Espiritismo" era a última revelação de Deus à humanidade e a mais actual e correcta. Milhões têm sido enredados por essa doutrina que vem sendo modificada...

18
Out16

Presunção e água benta...

Maria Helena

Na Introdução d "O Evangelho Segundo o Espiritismo", lemos as palavras de Allan Kardec acerca dos Evangelhos:

 

«Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável. [...] Aliás, se o discutissem, nele teriam as seitas encontrado sua própria condenação, visto que, na maioria, elas se agarram mais à parte mística do que à parte moral, que exige de cada um a reforma de si mesmo. Para os homens, em particular, constitui aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. Essa parte é a que será objeto exclusivo desta obra.
Toda a gente admira a moral evangélica; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais. Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as consequências. A razão está, por muito, na dificuldade que apresenta o entendimento do Evangelho que, para o maior número dos seus leitores, é ininteligível. A forma alegórica e o intencional misticismo da linguagem fazem que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como leem as preces, sem as entender, isto é, sem proveito. Passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados na massa das narrativas. Impossível, então, apanhar-se-lhes o conjunto e tomá-los para objeto de leitura e meditações especiais." 

"O Evangelho Segundo o Espiritismo", págs.17-18

 

Depois de dizer que os actos comuns da vida de Cristo, os seus milagres, as suas profecias e as suas palavras têm sido alvo de controvérsia ao longo dos anos e que só o seu ensino moral permanece inatacável, talvez porque ele mesmo não acredite em nada que os Evangelhos dizem acerca de Jesus Cristo, nem na maior parte das suas palavras e use apenas aquilo a que chama "o seu ensino moral" nas suas obras, Kardec afirma que até ao ano 1855, ninguém pôde explicar devidamente o Evangelho... Que só ele, qual Moisés do século XIX, teve a revelação que ninguém havia tido antes e a chave para abrir a caixa de pandora. Como diria a minha mãe: «Presunção e água benta, cada um toma a que quer!»

 

O século XIX foi fértil em falsos profetas:

Em 1830, Joseph Smith havia fundado os Mórmons e alegava ter recebido de um anjo, Moróni, toda a verdade que até então ninguém tinha percebido nos evangelhos e na Bíblia no seu todo. Segundo ele, a Bíblia havia sido adulterada e ele tinha a verdade que recebera directamente do céu.

Em 1860, surgem os Adventistas do Sétimo Dia já depois de um arranque em falso em 1831 quando Guilherme Miller faz falsas profecias que apontavam a data da volta de Jesus em 22 de Outubro de 1844. O dia e o ano passaram e... Nada aconteceu. Em 1844, surge Ellen White com algumas visões e profecias que também se revelaram falsas. 

Em 1870, Charles Taze Russel funda as Testemunhas de Jeová e também ele alega que, finalmente, alguém interpretava devidamente a Bíblia e que a única religião verdadeira tinha chegado. 

 

Todos os falsos profetas citados acima apareceram nos EUA no século XIX. Pelo meio, em França, aparece Allan Kardec a revestir a doutrina veda da reencarnação e a travesti-la de cristã. Afirmando, tal como os demais, que finalmente tinha a chave para descodificar o que ninguém antes dele conseguira fazer, (Eureka!) Kardec compõe um falso evangelho e encosta-se à Bíblia para parecer cristão. Também ele alinhou na mentira dos demónios disfarçados de anjos que apareceram a Joseph Smith e que agora o dirigiam e afirmou que a Bíblia está cheia de erros e que foi adulterada ao longo dos anos. Claro que isso só acontece nas partes em que a Bíblia desmascara o espiritismo.

Ao afirmar que a sua obra «É, finalmente e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura.», Kardec angaria seguidores e, valendo-se do analfabetismo bíblico do povinho, faz parecer que acredita na Bíblia, mas não em toda a Bíblia... Ao mesmo tempo que usava textos bíblicos descontextualizados para fazer crer que a sua doutrina se baseava na Bíblia, descredibilizava-a e denegria-a para afastar as pessoas dela. 

Usando o ensino que era dado pelo clero aos católicos romanos de que a Bíblia era de difícil entendimento e que ninguém podia entendê-la sozinho, Kardec afirmava:  «A razão está, por muito, na dificuldade que apresenta o entendimento do Evangelho que, para o maior número dos seus leitores, é ininteligível.», e assim prepara caminho para enganar quem não conhecia a Escritura e acreditava que só homens iluminados podiam entendê-la.  Era fácil enganar um povo que acreditava que se lesse a Bíblia ficava tolinho. 

Aprisionados pela religião dominante, muitos viram no espiritismo a hipótese de entrar no ocultismo sem deixarem de ser católicos romanos. Afinal, os católicos também acreditam que os mortos os ouvem, que intercedem por eles e que cuidam deles... porque não poderiam comunicar-se?

Acreditar que durante 1855 anos não houve ninguém capaz de entender o ensino da Bíblia, é de uma ignorância atroz. Só é credível para quem não tem o mínimo conhecimento de História da Igreja. 

 

Hoje, continua a valer o alerta do apóstolo Paulo: «Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.» Gálatas 1:8

«Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofreríeis.» 2 Coríntios 11:4

Maria Helena Costa

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